Lugar comum que seja, Regina Spektor, a menina, “um quarto de alguma coisa” como diz a Susana, cantou e encantou ontem à noite, ao ar livre, em Cascais.

Regina Spektor Cascais

Ainda durante o jantar, com um casal de amigos, falámos sobre o quão bem ficaria Regina Spektor e o seu piano, num espaço pequeno, um café, bar ou cabaret… Poucos minutos depois já o desejo de a ver assim aumentava.

Um tímido «obrigada», e, para caso algo acabasse «fucked up», o «desculpem» já treinado, lá se cruzava com o riso de quem efectivamente está a achar piada à coisa… «Vocês lembram-se de cada coisa… Coisas que eu já não tenho a certeza se ainda me lembro…». Lembrava. Lembrava cada palavra. Cada som. Com banda, sem banda, ao piano, no sintetizador, de guitarra em mãos, sem mais nada que não a sua voz…

Desculpem, está muito calor. Vou ali e já venho. A Regina Spektor também. E tal como eu, ela promete voltar. Nós esperamos que em breve.

Certo. Eu sei que para para quase todos quantos estudam, o nano já acabou. Para mim nem por isso. Falta saber uma nota. Vem atrasada, falha minha mas, aquilo que tantas vezes aqui referi, como razão para ausências um pouco mais prolongadas, foi também a razão deste atraso: Falta de tempo.

Um tipo quer tudo, quer ser super-herói… Ah e tal, estudar, trabalhar, familiar… Sim, eu sei. Há muito mais quem o faça mas, quanto mais falo com colegas e amigos que tal como eu, estudam e trabalham, mais vejo a diferença entre o regime de estudo diurno e o pós-laboral que, como o nome indica, existe para ser frequentado após um dia de trabalho. Pois. É feito à medida. O ritmo é outro…

O regime diurno é pois, para quem não tem mais o que fazer a não ser estudar. Pois então, que estudem. Quando saem das aulas, que estudem. Antes de irem para as aulas, que estudem…

Certo. A nota deve estar quase a sair e assim que tal acontecer, já voltamos à conversa ok?

… a que chamavam Gulbenkian. Era um grande jardim, no meio da cidade. Uma mancha verde de quase 9 hectares… Não havia quem não gostasse daquele jardim. Do nascer ao pôr-do-Sol, o tal jardim Gulbenkian estava ali para os Lisboetas… E para os outros também…

Havia quem lá fosse só para passear, outros para descansar, estudar, namorar… E se namoravam… Umas vezes com as namoradas, outras vezes nem por isso… Enfim. Era um grande jardim esse tal jardim Gulbenkian.

Como em todos os jardins, ainda que mais nuns do que noutros, respirava-se lá no tal jardim Gulbenkian, um cheirinho de Liberdade… E que bem cheirava a Liberdade.

Precisamente por cheirar a Liberdade, por lá, de quando em vez, também se cheiravam outras coisas… Um cigarrito aqui, outro cigarrito ali, passa um cachimbo, uma ou outra coisa menos bem enrolada, enfim, havia por lá de tudo… E bons cigarros que por lá fumei… Deitado na relva, a olhar para o céu.

Assim era o tal jardim Gulbenkian. Era…

Hoje é engraçado à mesma. Uma paisagem diferente, exemplar. Há até quem a visite vindo de longe só para ver “a grande mancha amarela”… E que giro é ver os putos, aos pulos e cambalhotas, divertindo-se por lá… A maleabilidade e elasticidade do acetato de celulose… Não fossem os tubos das mal engendradas máscaras de oxigénio, que de quando em vez se enrolam em volta do pescoço, aquilo era só galhofa. Bem, imaginamos, que as ditas máscaras também não deixam passar o som cá para fora. Mas deve ser de certeza…

E pensar que tudo isto, toda esta modernidade, resultou de um gesto tão simples, de uma pessoa tão simples… Ela, que deitada na relva, desfrutando do sossego, da serenidade de uma tarde de Verão, lia com calma e fumava o seu cigarro. Os seus cigarros…

Jardim Gulbenkian futuro Jardim da Beata

De quando em vez, quando o calor da combustão lenta lhe chegava aos dedos, lá se virava com custo, e se levantava do seu encosto, para num acto ecológico apagar o cigarro  na rocha mais próxima. Quantas folhinhas de relva pouparia ela naquele acto?

Logo depois, sem mais quê nem para quê, a paixão do momento morria, lançada ao chão, num gesto irreflectido que, neste nosso futuro, afinal nem tão distante assim, dava origem ao nosso novo jardim, o jardim da beata…

Este fim-de-semana, ao montar umas novas estantes na sala dei comigo a limpar o pó aos DVD’s lá de casa e à medida que ia colocando as séries de televisão lado a lado, lembrei-me de uma das razões pelas quais eu não comprava cassetes VHS: O espaço necessário para as arrumar.

why I didn't bought vhs tapes

É claro que logo depois me lembrei de outra das razões: Costumava pensar que, mais dia menos dia, o VHS iria acabar e ser substituído por outra coisa qualquer… Não foi muito divertido.

Nota: O gato Browser olhava, atónito, para o que ali se passava, como quem pensa: “És muita tótó pá!”
Nota 2: Sim, tenho algumas séries em DVD ainda embaladas no celofane. Não quer dizer que não as tenha visto já. Na sua grande maioria já vi mas noutro formato… Menos convencional…

The first volume in hardcover deluxe edition collecting the first four issues were Philip K. Dick masterpiece is shown in graphic novel form. Also, as a bonus, some essays about the life and works of PDK by Warren Ellis, Rockne S. O’Bannon and Ed Brubaker.

O primeiro volume, numa edição luxuosa de capa rija, juntando os quatro primeiros fasciculos onde a obra prima de Philip K. Dick é mostrada no formato de novela gráfica. Como bónus, inclui também alguns ensaios de Warren Ellis, Rockne S. O’Bannon e Ed Brubaker sobre a vida e obra de PDK