A Patricia não dorme há já três noites. E eu há já três noites que tento dormir no sofá. À primeira vista parecia que se tratava de dentes (o que estranhámos pois já lhe nasceram os dentes quase todos e ela nunca se queixou), as febres e o choro constante… Ontem tirei as dúvidas. A Patricia, vá-se lá saber porquê, está com medo de dormir. Cada vez que fecha os olhos, já em desespero por cansaço certamente, é para logo de seguida os abrir assustada e a chorar com quantas forças parece ter. Pois. Não percebemos o que se passa. Ontem ficou a Susana em casa. Hoje ela não devia faltar (reunião com novo director) e fiquei eu por casa. Até agora o que posso dizer é que a coisa está a correr bem. Pondo de parte os ataques repentinos de saudade maternal que levam a Patricia a correr toda a casa de cabeça no ar enquanto vai dizendo “mamã, mamã…”

Sim, este espaço também serve para isto.

O dia teria que chegar mais cedo ou mais tarde. Foi desta. Desce o pano e ele recolhe-se. Não deixou o camarim. Descansa. Dorme. Mas está .

Ganhei o hábito de escrever em Português. Não é mau não senhor. Estou a gostar. Desde Julho deste ano e até à data de hoje, esse espacinho (refiro-me ao espaço que estava reservado às palavras em PT) a que chamei meu recebeu cerca de 24.000 visitas… Alguem me lê. E mais. Há até quem já o faça com alguma regularidade. E eu gosto.

O antigo browserd.com já há muito que falava na lingua de sua masjestade e havia uma razão para isso. Começei nestas andanças em 1994 e a companhia PT não era muita na altura. Quando me dediquei mais a sério a estas coisas das páginas e sites tambem foi em inglês que encontrei o sentido de comunidade. Hoje a realidade é diferente. Primeiro veio a Isa, depois o Marco, o João e tantos outros que já fazem parte dos meus passeios (sempre que possivel) diários. Além disso, adoptei de alma e coração o Flickr que me permite mais do que nunca manter a “comunicação”, no sentido mais lato que eu possa imaginar, de forma universal: através da imagem e como diz o povo, uma imagem vale 56,03 palavras (e por lá costumo escrever em inglês o que também ajuda).

Aproveitei a deixa para fazer umas pequenas alterações, arrumando a casa (já que para a outra – IRL – nunca tenho tempo). Ainda não estão terminadas pois há coisas do antigo browserd.com que eu quero importar para aqui pois fazem parte de um espólio que eu não quero esqueçer (The book of browserd por exemplo). Espero que tais mudanças não interfiram de forma alguma com o prazer que possam eventualmente retirar dos momentos que aqui passam. Se for o caso, não hesitem em dizer que logo se vê o que se arranja ok?

À pála de coisas estranhas como Clientes, eis-me a passear pelas teorias da navegabilidade em sitios estranhos tais como: Navigation Basics – How to build beter web site navigation, Usability News – Influence of Training and Exposure on the Usage of Breadcrumb Navigation e Breadcrumb Navigation: Further Investigation of Usage tambem no mesmo sitio ou ainda pdf’s quase esotéricos sobre o mesmo assunto… Yuuuppppiiii. Sinto-me a voltar às origens da coisa. Não tarda ainda me apanham aqui a fazer posts sobre usabilidade e coisas do género. E como eu gosto do tema…

Na passada sexta-feira cometi um daqueles erros que trazem “amador” colado na testa: respondi pelo Cliente. E depois levei nas orelhas. Depois de algum tempo nestas coisas da Net, por vezes pode cair-se no erro de tomar como “senso-comum” aquilo que mais não é do que o nosso “bom-senso”. E depois aprendemos o quão apertadas deveriamos deixar as mãos do Cliente. Como raio pode um Cliente adivinhar que, num site com uma moldura cromática de 3 cores (a saber: branco, cinza e rosa) não fica bem um gráfico (Powerpoint made) com três colunas coloridas (a saber: azul, amarelo e vermelho) e com background degradê… E como pode um Cliente saber que um parágrafo inteiro a bold e itálico em fonte tamanho 8, além de dificilmente legivel, não é de bom tom? E porque raio não corrigi eu o Cliente???
Mais um daqueles casos para dizer: Daaaa-ssseeeeee….

Fomos ontem assistir à ante-estreia da nova co-produção SIC / UTOPIA Filmes. Sabem como distinguir uma ante-estreia de uma estreia? Numa ante-estreia há muitas jovens promotoras a distribuir trufas de chocolate da Olá. Grande coisa – dizem alguns – No Jumbo também há promotoras da Olá. É verdade. Mas nesta ante-estreia elas tinham todas mais de 1,75m…

crime  do padre amaro
O Grande Auditório do Centro Cultural de Belem estava quase quase cheio para assistir a esta adaptação livre do romance de Eça de Queiroz passada nos nossos dias. Sabiam que o Rui Unas está de barba??? Como disse o Francisco Penim antes do inicio da projecção (que estava marcada para as 21h30 mas só começou perto das 10h20), é um filme comercial mas Portugal necessita de mais filmes comerciais e não sómente de filmes que ganhem prémios em festivais de cinema no estrangeiro.
A acção está em Lisboa e até aqui tudo bem mas cai num bairro social, cheio de hip-hop e gangs que roubam e quase matam e coisas dessas… E isso já está visto. Para mim, é o ponto negativo do filme. Há certamente mais realidades sociais na cidade de Lisboa que possam ser cenário mas também não quero ir por ai. Este foi o cenário escolhido. Espero que no proximo filme, comercial, o cenário possa mudar.
O argumento e conhecido de quem leu o livro mas facilmente é “apanhado” por quem não conhece a obra de Eça. A tentação é grande para um jovem padre e, apesar de se chamar principalmente Amélia, assume muitos outros nomes. Quase todos quantos se ouvem. O crime porém não é esse apesar de igualmente julgável no tribunal da moralidade. O crime está na forma como Amaro quer tratar daquilo a que chama “um problema” e na visão egoista que dá de si mesmo.
Depois os actores… Nuno Mello igual a si mesmo. E uma supresa também para quem a entender. Rui Unas e Diogo Morgado candidatam-se ao casal amoroso do ano como o par Gay do bairro. Esteriotipado q.b.. Nicolau é o verdadeiro mau da fita. Jorge Corrula é um padre modernaço que vê a imagem da Santa despida de preconceitos. Amaaaroooooo… Soraia Chaves tem estilo para a coisa. Como Amélia é talvez um pouco radical mas enfim… Já vimos certamente outras modelos a fazerem piores figuras no ecran.

Pois que mais não digo (não que tenha dito grande coisa mas o filme só estreia para a semana) a não ser que vale a pena ir às salas de cinema para ver este filme português. E não é só por ser português.

p.s. Depois da exibição houve uma festa no bar MAO na 24 mas pela quantidade de equipas de reportagem que estavam à porta, imagino que o espaço estaria cheio. Fomos para casa.