… o raio que o parta! Já acordei com dor de cabeça que tenho como prenda de mais uma daquelas estúpidas constipações de Verão (eu sempre soube que havia razões para não gostar do Verão) que irrita até dizer chega. Sai de casa já quase a correr em direcção ao Metro pois as contas estão mais ou menos feitas para apanhar um que passa ali por volta das 07h26m. Algum tempo depois lá chega a tal mensagem que ninguem gosta de ouvir: “Por Motivos de ordem técnica…”. Pôrra! A greve foi ontem. Já entendemos que voçês é que mandam. Esperei mais um pouco mas, com o conhecimento de que o corporativo (nome carinhoso que dou ao transporte privado que nos leva de Lisboa ao deserto) não espera e para não desesperar, sai dali (perdi o amor ao bilhete) e resolvi apanhar um autocarro da Carris que me levasse ao Terreiro do Paço. Pequeno detalhe: Não tinha dinheiro na carteira. Multibanco mesmo ali ao lado. Infelizmente estva fora de serviço com as tipicas mensagens de vá lá a outro que este está estragado. Certo. Estamos na Almirante Reis não é? O que mais não faltam são caixas multibanco. Eu não contava era com o facto de que estavam todas fora de serviço e a mandarem-me ir falar com outro daqueles “… mais próximo.”. Andei, andei, andei já naquela de que estava a pé e quase no Rossio.

Manhã perdida por manhã perdida sempre ia beber um café com algum colega ali da Baixa. O comboio e consequente taxi que me levaria às paisagens aridas já estava certo. De repente, eis senão quando brilha uma luz ali ao lado (não, não foi ao fundo, foi mesmo ao lado). Já em pleno Intendente quase à Rua da Palma, uma caixa multibanco dava sinais de vida. Mais espirro menos lenço e já estava dentro de um taxi. “Leve-me ao Terreiro do Paço, mesmo ali junto aos ministérios. Não. Pensando melhor, leve-me para o Marquês que ali em baixo já não a apanho.”. O homem olhou para mim como quem pensava que é já ali ao lado. É mesmo quase a mesma coisa. “Certo. O chefe manda. Se entretanto quiser ir para Coimbra avise para eu dar um toque p’rá central.”. Nada como o bom humor de um taxista pela manhã. Cheguei a tempo. Não sei se repetiram pela manhã as marchas na Avenida da Liberdade mas fosse lá porque razão fosse, parece que o corporativo se atrasou ou bocadinho e consegui apanhar o dito ali quem sobe para as Amoreiras.

Chegado ao deserto, consciente de que a dor de cabeça estava já a ultrapassar alguns dos limites estabelecidos por escalas para medir terremotos, limitei-me a pensar que é mais um dia e está já quase no fim (delirios certamente causados por uma pontinha de febre). Meto a mão ao bolso. Perdi o pacote dos lenços.

4 thoughts on “Bom dia que é como quem diz…

  1. Amigos, isto não está facil. Apesar da constipação (estranhamente) estar a passar (deve estar p’ra vir chuva), parece que tudo o resto está a abanar aqui à volta. Não se preocupem que já arranjei outro pacote de lenços…

    Obrigado a ambos.

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