A Sexta-feira passada foi dia de jantar fora. Sim, isto de ter uma filha pequenina obriga a que coisas tão simples como ir jantar fora a um sitio diferente tenham que ser planeadas e agendadas com a devida antecedência… Este jantar não foi excepção.

Sexta-feira, 20h30, Praça da Figueira apontados para o rio. Paralela à Rua da Prata fica a Rua dos Douradores e ao fim desta, quase a chegar à Rua da Conceição fica o Nectar Wine Bar. Só pela localização já é de louvar uma vez que a Baixa Lisboeta parece morrer a partir das Sol posto. Além disso, mesmo durante o dia há já muito quem feche as portas às portas abertas das paralelas e transversais à Rua Augusta pela caça ao euro descarada que por ali se pratica. Mas o Néctar era uma novidade para nós e o conceito era apetecível. Um bar de vinhos com petiscos e refeições completas. Mesa reservada e eis que começa a noite. A simpatia é notada (e apreciada) assim que chegamos. Instalado num antigo armazém de tecidos o Néctar prova também que a Baixa Lisboeta pode ter futuro assim lho queiram dar. O espaço é moderno e convidativo. O numero de comensais era grande e justificou a divisão da mesa. Estava entendido. Foi-nos apresentada a casa e a carta que era a mais esperada. Esta abria com a sugestão de vinhos ao copo (bem vindos para provar) e seguia com uma bem recheada lista de garrafas onde Portugal estava de lés-a-lés e o estrangeiro estava também com boa representação (a curiosidade de provar um vinho que por lá estava proveniente da Austrália ficou por aqui a moer). Poucos que éramos ainda, optámos pelo copo e lá veio o Cortes de Cima 2002. Tivesse eu adivinhado o corpo e textura deste alentejano da Vidigueira e viria para a mesa do principio ao fim para acompanhar em beleza a refeição que se seguiu. O Cortes de Cima 2002 é um vinho que pede mais. Pelo menos, que se beba mais. Mais do mesmo. Vermelho fosco aos olhos deixa no nariz o cheiro a fruta madura e a alguma especiaria quente por identificar. Um corpo sólido daquele que enche a boca e mantém o gosto durante muito tempo dizia logo que era um vinho bom para toda a refeição. À medida que todos chegavam, todos o iam experimentando. Todos ficaram rendidos. Chegou então à mesa a Salada de Pão e Tomate com queijo Feta. Tirando um dos convivas que se assustou com a terrina em que a salada foi servida (ainda ninguem percebeu porquê) não houve quem não gostasse. Para a acompanhar serviram-se as garrafas de Quinta dos Poços Reserva 2003. É um Douro e só por isso já se esperava algo mais leve. Independentemente dos prémios já ganhos por este vinho não fez adeptos entre os que o provaram. Certo é que abrir um pouco no copo lhe fez favor mas mesmo assim não chegou para repetir. Altura de servir os pratos principais: Porco preto com puré de maçã, bem servido, nacos macios e puré aveludado; Tagliatelle Nero com Peperoncino e Gambas que é como quem diz, massa preta (a milagrosa coloração com sabor que lhe dá a tinta do choco) salteada com pequenas gambas e alguma malagueta. Muito boa. Aqui ouviu-se a sugestão e provou-se o vinho da casa: Taká 2005. O Alentejo estava novamente à mesa. Sendo um vinho relativamente novo mostrou ser mais tentador pelo cheiro agradável, intenso, e pela cor forte tipo cereja. Mas sendo para a mesa, não é um vinho de paixões. Ainda todos os presentes falavam no Cortes de Cima e já se servia a sobremesa. O bolo de chocolate italiano. Quente e muito saboroso… Houve ainda quem se aventurasse pelos chás aquando do café mas sobre esses já não escrevo que não os experimentei.

Apreciação global: Ganharam novos clientes. O facto de abrirem logo pela hora do almoço (funcionam das 12 às 23 de Segunda a Quinta e das 12 às 24 às Sextas e Sábados) é uma mais valia e contando com uma bem fornecida listas de petiscos que por lá vi, garante também que umas visitas de fim de tarde se impõem.

Nectar Winebar
Rua dos Douradores, nº 33
1100-2003 Lisboa
Telf: 912 633 368

9 thoughts on “In vino veritas… Para alguns pelo menos.

  1. Boa tarde!

    Criticas:
    – Faltou dizeres “o preço final por cabeça”?!?!?
    – Não existem cheiros mas aromas

    Recomendação para um jantar em tua casa:
    – Comida relativamente leve (peixe/carnes brancas) acompanhado de um Villa Maria Branco 2006 – Nova Zelandia
    – Ou então umas massas italianas – já voltava ao Bianconero ;) – acompanhadas de um Mateus Rosé servido a +-10º

    Cumps, LG

  2. Devias transforma o cantinho um roteiro gastronómico!!

    Isto dá algum jeito em referências de restaurantes!!

    Gracias, Pedrocas!!

    E já agora, para quando o almoço de despedida!??!?!? É que está quase!!!!!!!!!

  3. Bugas,

    és o cornito!!! o Pedrinho ainda não te disse nada? Shame on you Pedro.
    LG pode ser sardinha assada?

  4. Boas Alburcas… Fixe, desta vez não sou o ultimo a saber…
    LG, tens carro pá. Espero-te lá no Tagus para a semana… E senhora de Rebelo, eu só ainda não disse nada à Alburcas porque ainda não me estiquei por aqui… Tendo em consideração a velocidade com que as coisas mudam achei melhor deixar mesmo para os últimos dias… Mas já que nsistes… A minha senhora tem que me ver contente já viram isto???

  5. Onde é que vai ser a despedida? Quando? Almoço?
    Aceito sardinha assada… Pode ser acompanhada de umas fatias de pão de milho? E um caldo verde com umas rodelas de chouriço alentejano servido em tijela de barro? Bem parece que já estou a abusar…. ;)
    Cumps.

  6. Caro Sr. Pedro Rebelo

    Tendo chegado à sua página por mero acaso já que buscava toda a informação existente com referência aos vinhos QUINTA dos POÇOS, permita-me que o corrija: o vinho é da Região Demarcada do DOURO e não um Dão.

    Cumprimentos

    Sandra Neto

  7. Cara Sandra, obrigado pela sua correcção. Será corrigido o texto da página de imediato.

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