O nível de abstracção de uma criança nem sempre é correctamente entendido. Por vezes pensamos que estão somente a dizer coisas sem sentido quando lá no fundo no fundo, o sentido dessas coisas  está muito além daquele que estamos dispostos a entender, pelo menos, à primeira.

A Patrícia já nos habituou com algumas “saídas” inesperadas o que nos vai treinando o espírito mas ainda assim, não deixa de nos surpreender de quando em vez.

Mesmo com uma simbologia tão clara como a que me estava a mostrar, não consegui decifrar à primeira o código do desenho que a Patrícia me ofereceu.

Proibido a Monstros Invisíveis

– Pai, então, ali está o meu nome certo? Pa-trí-ci-a. E depois, está tudo ali. O sinal de proibido não é? E o resto…
– O resto o quê filha?
– Então, não se vê porque é invisível…
– O quê?
– O monstro…
– O monstro?
– Sim. Este sinal quer dizer: Proibido a monstros invisíveis.

Estava lá. Claro. Eu é que não estava a ver. E agora já vejo…

Depois do post da Maria João Nogueira e do post do Pedro Aniceto com base no artigo da revista Meios & Publicidade “Os Padrinhos das Redes Sociais“, perguntou-me ontem um amigo, se eu tinha algo contra a referida revista. “Porque é que só falaste da Meios & Publicidade? A Briefing também escreveu sobre o tema…”.

A Maria João Nogueira na Briefing

Sim, eu também li a Briefing e se não disse nada sobre o que nesta se escreveu sobre o tema (vale a pena voltar a referir qual é o tema?), talvez seja porque a leitura da dita revista não me levou a considerações de maior monta (ou talvez as tais considerações estejam ainda a ser processadas).

Mas independentemente das razões que me possam ter levado a não escrever nada sobre a Briefing, salta à vista uma pequena diferença entre a abordagem que esta fez ao tema Ensitel e a abordagem da Meios & Publicidade:

Antes das opiniões de 5 entendidos nestas matérias de comunicação e novos media, de uma página cada, a Briefing apresenta uma entrevista de 3 páginas com a própria Maria João Nogeira.

Como refere o Pedro Aniceto, os trabalhos de casa são de extrema importância mas aparte outras questões também referidas no post deste (a questão do on e do off dava pano para mangas), foi essencialmente no facto de não ter contactado a Maria João Nogueira, que a Meios & Publicidade falhou. A partir dai…

Leiam com atenção o que escreve Caroline McCarthy no The Social.

There’s no such thing as ‘social media revolution‘” ou numa tradução tosca para o nosso Português, não há cá essa coisa de Revolução dos Social Media.

Ainda que o termo seja bonito, e que garantidamente arranque suspiros de alma em reuniões menos animadas, revolução é um termo que, representando mudança de qualquer natureza, associamos antes de mais ao ser humano. Que raio, a Revolução Industrial é a das máquinas e do vapor mas é essencialmente, dos homens que a viveram (se estiver a soar demasiado à esquerda, avisem-me por favor. Não é no entanto, de admirar: São muitas horas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa).

Pode parecer que contra mim escrevo, uma vez que a minha vida profissional anda em grande parte, em torno desta realidade das Redes Sociais, dos Media e da Web em geral mas ainda assim, confesso que já me causa uma certa impressão, e nem sempre positiva, esta onda de entusiasmo extremo à volta dos chamados Social Media. Não que lhes negue a devida importância. Quem me conhece sabe bem que faço questão de a cada momento, fazer notar o quão importantes e relevantes são esses tais Social Media no nosso dia-a-dia. O que me causa a tal impressão é o aparente esquecimento de que, por detrás de tudo isso, estão pessoas.

A Caroline McCarthy no seu artigo, relembra-nos o lado humano do Social Media com exemplos que abriram os olhos ao mundo sobre o poder dos utilizadores, não das aplicações ou dos canais que estes utilizam.

Infelizmente, não é raro ouvir ou ler sobre o tema, constatando que os utilizadores são frequentemente esquecidos, trocados por likes, apresentando ao segundo slide de Powerpoint, o valor em euros de cada uma daquelas pequenas mãos azuis, de polegar em riste…

«Os revolucionários –  escreve Caroline – sejam eles quem forem, irão usar o social media como um conjunto de ferramentas para as tarefas que sempre foram e continuam a ser, as mais cruciais para os activistas: reunir apoios, comunicar com pessoas que pensem de forma semelhante e espalhar a palavra. Estas tácticas não mudaram. Os canais de comunicação disponíveis é que se expandiram.».

Não se esqueçam deles…

Só mesmo duas pequenas considerações sobre o artigo “Os Padrinhos das Redes Sociais”, publicado na Meios & Publicidade que me caiu hoje em cima da mesa:

Padrinhos das Redes Sociais na Meios & Publicidade

Alguns media continuam a insistir na ideia de que o caso Ensitel só teve a repercussão que teve porque a Maria João Nogueira é a responsável do Sapo Blogs e como tal, acham eles, tem acesso a tudo quanto são pessoas influentes na web nacional. É uma verdade que a Maria João tem acesso a tudo quanto são pessoas influentes na web nacional e, certamente, internacional também mas, convenhamos, outras pessoas também terão. E não me refiro só à Ensitel. Imaginem que um qualquer dos muito falados “animadores” do caso Ensitel tinha passado por problema semelhante. Será que não conseguiriam a mesma divulgação? E que eu saiba, nem todos são responsáveis no Sapo Blogs.

Metam os olhos no mundo que vos rodeia e nos já inúmeros casos que por ai há e logo verão que, ainda que para alguns seja mais fácil poder dizer ao Cliente “Não se preocupe. Isto só aconteceu porque a Maria João Nogueira é do Sapo…”, a verdade é que hoje em dia, tendo a razão e não abusando dela, é relativamente fácil gerar um “Caso Ensitel”. E outros muito além…

Ainda assim, gosto de ver, um medium da especialidade a dar destaque ao tema. Pergunto-me quantos directores e responsáveis de marketing e comunicação de grandes empresas o terão lido. E se depois de o lerem, chamaram os seus colaboradores e disseram: “Ora vamos lá então falar sobre essa coisa das redes sociais…”

Tal e qual… Foi esta a expressão usada pela Patrícia ontem à noite enquanto eu preparava as coisas para mais uma sessão de Primeval… Enquanto liga e não liga o leitor de DVD, eis que a televisão estava como de costume, no AXN, e precisamente quando está a começar mais um episódio de CSI.

Não há como resistir e dificilmente se consegue argumentar que já é hora de ir para a cama.

“CSI? Então não vamos ver Primeval?”

É mais uma daquelas a ficar na história de uma miúda que, ou muito me engano, ou até vai gostar dessas cenas assim… Geeks…

Primeval tem sido a dose de ficção diária nestes dias em que a produção de séries anda em repouso por esse mundo fora. Trata-se de uma série de origem britânica, já de 2007 e que já nos oferece 3 temporadas completas sendo que a quarta começou a ser transmitida no inicio deste ano.

Grosso modo, anomalias no tecido espaço-temporal permitem que criaturas do passado e do futuro passem através delas para o nosso tempo. Em consequência disso, diversas situações se proporcionam levando a alterações da realidade. Tudo isto no contexto de um grupo de investigadores académicos e um departamento governamental que tenta perceber o fenómeno ao mesmo tempo que faz tudo por tudo para o esconder da sociedade civil.

Com alguns exageros, vai garantindo momentos de interesse e diversão frente à televisão nas noites da semana. Para nós e para a Patrícia como se percebe…