Noite de sexta-feira, a começar pela zona do Chiado. Bem, começa da melhor forma porque não? Temperatura amena, luzes a abrilhantar as ruas. Que seja.

Para um jantar a dois, sem vontade de tirar o carro do estacionamento, um estar sossegado, comer bem e conversar aproveitando o grito de liberdade que aos 5 anos soava lá por casa (que é como quem diz, a Patrícia foi dormir a casa de uma amiga). Visita da praxe à catedral FNAC, subir a Garrett e virar à Sacramento. Subir mais um pouco e pouco além do meio caminho, abre portas o Restaurante Sacramento. Num espaço pré-pombalino, recebidos à entrada onde aguardamos dois minutos (falta de reserva em noite de sexta oblige), deu para pensar que o espaço de bar à esquerda também é convidativo. A visitar noutra altura.

No restaurante Sacramento acompanham-nos à mesa. Não há vagas nas salas de baixo mas o andar de cima conseguido em forma de varanda interna, ainda permite sentar. Tempos muito correctos. Mesa simples mas bem decorada, combina com o estilo de toda a casa. Couvert à mesa, uma pasta de atum com um toque não identificado e que a tornava mais agradável que o costume, azeite suave e bem temperado com umas gotas de vinagre balsâmico. Pão de Centeio com sementes e ainda um pão de cebola no ponto.

De entrada serviu-se uma empada de caça com redução de Vinho do Porto. O termo escolhido se fosse folhado não identificaria mal o prato pois a textura do envolvente, tal a suavidade, estava mais para o folhado mas, que não se entenda mal a observação: Estava muito boa. A caça do recheio em boa dose, a redução a deixar-se notar. O afamado Ratatui (que até ao rato pouca gente conhecia) era composto por rabanete, alface francesa, rúcula e tomate cerise.

Os pratos ficaram-se pela carne pela vontade de experimentar. Ficará para próxima visita ao Sacramento o Bacalhau com Broa e Grelos à Sacramento.

Tornedó com Queijo da Serra e espargos

Vieram os Supremos de frango, recheados com farinheira e acompanhados de Ratatui de legumes e arroz de nozes. A carne deliciosa, os peitorais da ave, de tamanho generoso, ganhavam da farinheira não só o sabor mas a devida gordura. O prato só ficou a perder pela maturidade que as nozes do arroz, claramente, já tinham atingido. Ou isso ou um mau acondicionamento das mesmas. Nada que não se ultrapassasse uma vez que o arroz era dispensável até para a totalidade do prato.

Seguiu-se o Tornedó de vitela com Queijo da Serra e espargos, enrolado em presunto. Servido em cama de esparregado, acompanhava com batatas fritas servidas à parte, salada e cebola ripada a cobrir a peça de carne.

Não só a carne era muito tenra e saborosa como se encontrava servida em dose certa. O rolo bem feito e o recheio generoso. O meu medo de que os espargos roubassem protagonismo à carne era infundado. Por mim, estava óptimo.

A refeição foi regada com um tinto Dão Porta Fronha 2005 que se revelou uma agradável surpresa assim que se deixa abrir por uns minutos no copo. Funciona e bem. Muita fruta o que calhava bem com o que se comia. Os vinhos do Dão a ganharem rapidamente a minha preferência.

De sobremesa foi dividido um Crumble de Maçã, Passas e Amêndoas com Gelado de Baunilha. Crocante como se quer, doce na dose certa e com o gelado a fazer bom par, a sobremesa calhou bem para finalizar.

O café veio prontamente e o garoto clarinho lá teve que ser substituído por uma chávena de leite quente que, recebeu depois uma colherada de café fazendo aquilo que nos restaurantes teimam em não ouvir ser pedido. Adiante.

O serviço foi muito bom, atencioso e competente, a dar vontade de voltar. O espaço é dado quer a uma refeição mais intima quer a um jantar de amigos (dentro do género é claro).


Restaurante Sacramento

Site: www.sacramentodochiado.com
Tipo de cozinha: Portuguesa / Moderna
Horário: Das 12:00 às 15:00 ao almoço e das 19h30 às 24:00 para jantar.
Preço médio: 25€
Morada:Calçada do Sacramento 40-46, Chiado, Lisboa
Telefone: +351 21 342 05 72
Pagamento: Numerário / Cartões

Dizia-me o Luís Filipe Sarmento uma noite no Twitter:  “Olha que vale a pena. É um dos maiores filósofos da actualidade. Tema hipermodernismo (a tua onda)…“. Infelizmente, não pude comparecer. Para variar, o trabalho, a universidade, a família, o tempo que não estica… Mas é esse mesmo tempo que é sem duvida, caminho das memórias e a existência dele é garantia delas e como tal, tardou mas chegou.

O ecrã global” de Gilles Lipovetsky. Com tradução de Luís Filipe Sarmento (a quem desde já comunico publicamente que não me esqueci que temos um copo em atraso, e espero ver tal questão resolvida o quanto antes de forma a que possamos arranjar um novo pretexto ), pelas Edições 70.

Sem mais delonga, fica a nota. Tinhas razão caro Luís, é a minha onda. E a cada dia que passa,  deixando-me de alguma forma mais encantando pela Comunicação, pela forma e pelo sentido, pelo entendimento do futuro (que com o presente já há muito quem se preocupe), mais concordo contigo. É a minha onda…

Ecrã Global de Giles Lipovetsky

“Pai, tenho uma coisa para ti…”. Esta frase é muito bonita não é? Todos os pais babados vão dizer que sim… Então um pai babado de uma filha geek (e desta vez foi a mãe que disse, nem fui eu), é capaz de dizer HIja.

Cylon by Filha de Geek

“Ó pai, é um daqueles Cylon’s. Não vês os olhos vermelhos?”.

Claro que vejo… Só não vejo melhor porque as lágrimas me turvam os olhos…

… e porque entre a propaganda de Goebbles (na radio, na radio, na radio… Não tem nada que ver com o cinema ok?) e aquela que faz a M&M’s desde 1941, a escolha é óbvia (queriam que eu dissesse qual é não queriam? Confessem…), aqui ficam ao bom estilo partidário as imagens que adoçaram as ideias ao povo da Austrália.

The Revolution is now


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Uma introdução, porque dá sempre jeito mesmo quando achamos que conhecemos bem o tema, muitos case studies, das tecnologias às finanças, e tendências. Vem em boa hora que o tema anda na boca do mundo mas, para quem como eu pensar que ainda que as ferramentas se vão, o conceito veio para ficar, o livro de Juliette Powell 33 Million People in the Roompode ser intemporal.

33 Million People in the Room

Juliette Powell