O Domingo passado começou cedo. Oito da matina e já estava eu em frente à televisão. Silêncio na casa. Mãe e filha dormiam ferradas e eu vi nisso a oportunidade de poder finalmente assistir a Exodus part II, o quarto episódio da terceira season de Battlestar Galactica. E Deuses, que episódio este. Aliás, que série esta. Tudo o que se pode querer de boa ficção cientifica. Mas vamos por partes que nem toda a gente sabe do que falo certo? Pois bem, falo de uma nova série (nova, bem, já vai na terceira season não é???) que fez por se distinguir daquilo que alguns insitiam já em chamar de remake da Galactica da década de 80.

Corria o mês de Setembro de 1982 quando os Sábados passaram a ter como fim de tarde garantida, uma estadia frente ao televisor para assistir na RTP 1 à série Galactica. Assim foi até Março do ano seguinte. Galactica 1980 foi depois transmitida até Outubro desse ano. Estas Galacticas do seculo passado mereceram lugar de destaque e mantiveram-se como referências para muitas pessoas da minha geração (trintões). Mesmo que os detalhes fossem já vagos, as aventuras de Apollo e Starbuck contras os Cylons e as suas luzes vermelhas dançando ao som de um “by your command” metálico, mantiveram-se bem vivos.

Eis que em Dezembro de 2003, mais de 20 anos depois, surge Battlestar Galactica 2003, a mini-série. Ficámos a saber que os Cylons tinham sido criados pelos Humanos mas que 40 anos antes da acção, se tinham revoltado e após uma violenta batalha partiram em busca de um espaço próprio. Foi construida uma estação espacial para servir um único propósito: Tentar criar uma relação diplomática entre Cylons e Humanos. Durante 40 anos os Humanos enviaram um representante. Os Cylons nunca o fizeram. Até então…

Os Cylons evoluiram. Eles podem agora parecer-se com seres Humanos. Eles movem-se por uma fé e não por um qualquer ditador com chapéu à Badaró. Os Cylons acreditam em Deus, uno e omnipotente. Os Humanos são politeistas. Que melhor motivo para tudo começar?

Assistimos à destruição das 12 Colónias pelos Cylons e à sobrevivência de 47.000 humanos que partem pelo espaço em busca da 13ª Colónia: A Terra.

Já deu para reparar que se trata de algo completamente novo não? Duas amigas diseram -me há uns dias atrás que esta nova série deve estar a fazer sucesso devido às gajas… Pois. Isso é efectivamente um detalhe importante. Tal como eu referi atrás os Cylons podem agora ter formas humanas (skin jobs como lhes chamam os Humanos) e por acaso, o género preferencial é o feminino. Ainda por cima abusando das formas esculturais, lá se vão multiplicando (sim, existem muitas cópias) entre loiras e morenas… No entanto há que ter em consideração que, essas mesmas amigas que fizeram o comentário sobre as gajas disseram também que a Galactica antiga é que era, que mais não fosse para ver o Apollo, lindo de morrer… Pois…

Os primeiros quatro episódios foram a mini-série melhor cotada de sempre no Sci-fi Channel. A série em si ganhou o galardão da melhor série televisiva de 2005, atribuido por entidades nem sempre associadas ao publico apreciador de ficção cientifica tais como a revista Time ou a Rolling Stone… Agora digam-me que é só por causa das gajas…

Agora voltando a Exodus Part II. A cara da Starbuck quando percebe que Kacey não é sua filha, a cara de Saul enquanto Ellen lhe morre nos braços, morta por ele, pensando que o amor entre duas pessoas pode fazer esqueçer tudo. A cara de Gaius Baltar enquanto uma Number Three lhe pergunta se ele realmente acredita que a guerra um dia possa terminar. O argumento dessa mesmo Number Three… A Galactica a entrar na atmosfera de New Caprica, os Vipers no ar e puuff… Já foi. O sacrificio da Pegasus e o filho desobediente… A cena final em que Adama corta o bigode, volta para o meio da tripulação. Grande mudança. Ele mudou. Tudo mudou. Passam por ele. Saudam-no. Ele já não tem bigode. Está tudo na mesma. Nada mudou. Em busca da 13ª colonia: A Terra.

Nota: Em Agosto do ano passado, mais precisamente no dia 15, feriado, Segunda-feira, a SIC transmitiu de uma assentada só a mini-série (os tais quatro episódios) Battlestar Galactica 2003 como se fosse um telefilme. Alguém viu? Entre o dia e a hora, é certo que não. Desde então não mais se ouviu falar em tal coisa nas nossas televisões. Recentemente em Portugal foi editada em DVD a série classica pela Universal. Ao contrário do resto do Mundo onde a série foi tratada digitalmente e até apresenta som 5.1, a nossa edição parece ser uma cópia e de pouca qualidade de uma qualquer edição em VHS e com o som 2.1. Pois. É para ser fiel ao original certamente.

Quanto a esta nova série, ao público Português restam apenas duas opções: Ou vai comprando as excelentes edições em DVD que vão saindo por esse Mundo fora (sem legendagem em Português) ou então grava as emissões da MulaTV ou da TorrentTV… Que remédio…

Raios o partam… Ao tempo. Já devem ter reparado que tenho andado sem tempo não? Eu ando por cá, até vou lendo uma coisita aqui e outra ali, ouvindo uma coisita aqui e outra ali (se eu vos disser que vou intervalando a banda sonora original do “10 Things I hate about you” com Sons of Odin – mais recente album de Manowar – vocês acreditam?) mas sempre sem tempo. Corporate way, corporate life… Nunca mais chega Dezembro…

Antes de ir, mais uma pérola do Mundo Ocidental: The Lost Watchmen Theory. Junte-se a fome à vontade de comer que é como quem diz, junte-se uma das grandes séries televisivas de sempre com aquele que é talvez o melhor livro de banda desenhada de sempre e cá estamos. Isto lembra-me que estou doido para comprar esta pequena (grande) maravilha que é a absolute edition da obra mãe de Alan Moore e David Gibons.

Ora muito bem… Eu sei bem o que tenho dito (in real life) dos Gato Fedorento. Desculpem-me os mais radicais apreciadores mas eu cresci com Monty Python e não consigo deixar de fazer comparações muitas vezes com uma sensação de dejá vu. Mas adiante, porque não é de Monty Python que trata este post mas sim dos atrás referidos Gatos, mais precisamente, do melhor que eles já fizeram. O trabalho de recolha não foi meu e nem sei de quem foi mas veio parar à minha caixa de correio e não quis deixar de partilhar esta pérola a todos quantos gostam deste tipo de humor (sim, eu admito que até gosto de algumas coisas destes senhores). Aqui fica, com a colaboração do Youtube, o melhor dos Gato Fedorento:

Bloopers!

O clássico Kunami!

O Rap dos Matarruanos!

O teste da Bazófia!

A caça ao javali!

O talhinho.

Hi! Bai dar uma grandá volta!

Jesus disléxico!

O homem que não sabe mentir!

“Olhe, é para dizer que não venho trabalhar”

O meu filho é uma jóia de moço!

Claque de seminaristas!

Gajas Boas!

É mofo? É bafio?

As grandes questões da minha aldeia!

Adepto do Benfica

Caldo Verde Fonseca!

Esposas de Sonho

O Gonorreias

Policia Bom, Policia Bonzinho!

Coletezinho Cor de Rosinha!

100 metros ciganos

Comentador desportivo

Snoopy não comas isso!

O homem mais odioso do mundo

Eu sou o maior da minha aldeia!

Acidente de aviação

O que tu queres sei eu!

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Pois que não me tenho estado a portar bem… Pois que não…

Quando foi a última vez que aqui escrevi? Há já mais de uma semana… Não me parece nada correcto, principalmente por respeito aos carissimos(as) visitantes aqui do sitio a quem nem sequer disse que fui de férias. À pois é. Férias. Duas semanas. E para os que não acreditavam ser possivel tenho a dizer que estive no Algarve. Lá mesmo. Na terra da praia e do sol e da agua e da areia e da… É melhor ficar por aqui senão eu mesmo terei dúvidas sobre se fui capaz de lá estar.

Algarve

Agora mesmo a sério. Foram uns dias muito bem passados ali na zona de Altura mais precisamente na Praia do Cabeço. Assim eu até sou capaz de gostar de praia em terras lusas. Acordar por volta das sete da matina para tomar o pequeno-almoço (composto essencialmente por leite, panquecas e doce) descansadinho e sem stress que a praia está mesmo ali à porta da rua. Pôr o pé na areia e ter a impressão de que não há ali ninguém (ainda que, segundo os meus padrões de sossego, a praia estivesse cheia de gente, as toalhas mais próximas estavam a muitos metros de distância)… Não há descanso na praia que a Patricia não deixa mas isso agora não interessa nada. Já estamos a caminho da agua que está quase tão quente quanto a do chuveiro em dias mais radicais. Tão mas tão à vontade que a 350D ficava ali, junto ao chapéu, sozinha, à espera que eu a ligasse… E assim se chegava ao meio-dia. Peixe fresco assado (pobre Susana que mesmo assim se fartou de trabalhar. Eu tentei ajudar nos assados mas definitivamente eu cá sou mais é teclados…) fresquinho do mercado ali em Vila Real e, por ordem de sua Alteza Tischa, sesta para toda a familia até às cinco da tarde. E eu que nunca fui de dormir de tarde, ali até ressonava e de prova disso devo ter ainda alguma nódoa negra das porradas que a Susana me mandava enquanto dizia: Não ressones.

Praia até cair a noite. Infelizmente não se tratava do melhor sitio para grandes fotos ao pô-do-sol. Demasiado a Sul e pouco a Oeste mas mesmo assim boas cores que por lá captei. As noites estavam guardadas para um geladinho na esplanada em Altura e uma voltinha ao carrossel. Claro que a Patricia adorou.

Um Sábado toca para Quarteira ter com uns amigos. A familia Ferreira e a familia Rodrigues (amigos de longa data) cujos respectivos filhos são nossos amigos de longa data (ele há coincidência não???) recebem-nos de braços abertos como sempre e de pés na areia debaixo do toldo. Um dia inteiro a banhos. Ao almoço ainda fiquei um pouco torto à conta do vinho caseiro e do licor de alfarrôba mas a coisa foi… O jantar foi de rastos. Sabem aqueles sitios que nem se parecem com um restaurante mais se parecendo com um café sobredotado de mesas tipicos de urbanizações modernas a.k.a dormitórios? Pois foi precisamente num desses sitios em Quarteira que se comeu um arroz de marisco descascado que estava de ir às lágrimas de tanto e tão bom que era.

Já que se fala (escreve) sobre comida, de notar também a breve passagem por Tavira onde mesmo por acaso fomos parar a uma pequena pizzaria (Mamma Mia se não me falha a memória) que ficou como ponto de referência pela qualidade da comida e pela simpatia dos empregados.
A estadia no Algarve acabou em Faro. Uma amiga nossa, colega de faculdade da Susana, fez o convite e lá fomos nós. Passeio e mais passeio fomos dar ao Zoomarine (de agradecer à Carla e aos seus bons contactos que nos arranjou convites em questão de minutos)… Era ver a Patricia à volta das focas e aos pulos no carrossel. Um dia bem passado em que a Susana comprovou o seu desagrado por divertimentos em altura desta feita na roda gigante do parque em que se aventurou com a filha… Eu fiquei cá pelo chão na vã tentativa de arranjar uma boa foto…

Já em casa (teve que ser pois a Patricia desenvolveu de um momento para o outro um fantastico volume de saudades pelo gato Browser aparentemente utrapassando em larga escala aquele que tinha por nós quando estava em casa dos avós) ainda deu para colocar algumas coisas em ordem, daquelas que são fundamentais para um salutar funcionamento familiar tais como, ver os últimos episódios da terceira série de 4400 e os episódios entretanto perdidos da segunda série de Prison Break. Ainda a finalizar, a overdose de papel que levantei no quiosque Sábado pela manhã com o Sol e o Expresso… Vai dar leitura para toda a semana. Pelo menos até ter dinheiro para comprar a Galactica que está para sair ainda este mês…
Assim se passaram mais umas férias (as primeiras em terras d’amendoeira em flor) de Verão. Não vim de lá com uma carrada de fotos como nas férias do ano passado pois não tivemos tantos passeios mas não é de desanimar. Em breve, mais experiências fotograficas virão.

Já não é novidade para ninguem que eu gosto muito de ver séries e faço alguns sacrificios para as ver. Destes, o mais recente é esperar até á meia-noite e meia para assistir diáriamente a L Word (ou como lhe chamaram em Portugal, A Letra L) na 2. L é de Lesbian e é de lésbicas que a série nos fala. Pelo menos é assim que é apresentada e isso só por si faz com que algumas pessoas não queiram ver a série e outras estejam doidas para tal mas pelas razões erradas (erradas ou não as mais correctas ou ainda não as mais justas).

L Word mostra-nos a realidade diária de um grupo de mulheres lésbicas que vive em Los Angeles e que como toda a gente, procuram viver felizes sabendo que, devido a amarem de uma forma diferente da culturalmente estabelecida, tal nem sempre é facil. É um drama no sentido televisivo da palavra mas é na verdade uma série que nos mostra de forma muito bem humorada, sensivel e sensual (não vejo maneira de mostrar a relação entre mulheres que não assim), a luta para a realização pessoal e profissional destas mulheres enfrentando todos os entraves externos e não só (uma das personagens, Jenny, insiste em casar com o namorado mas descobre que o feminino é uma atração talvez mais forte) que lhes vão aparecendo. E estas mulheres são tal e qual todas as outras (e outros também). Não estamos a falar das lésbicas dos tempos das nossas mães, o estereotipo de blusão de cabedal pós 25 de Abril e cigarro ao canto da boca… Além disso, há as que querem ter filhos, as que só dão valor à carreira, as que querem alguem diferente todas as noites sem nunca assumirem compromissos.

L Word

A vida corre bem para aqueles lados. Está bem… É muito luxo, muito glam… Apartamentos lindos e telemóveis topo de gama. Profissões de sonho e tudo o mais. Não se esqueçam: é Los Angeles. Se fosse em Nova Iorque a coisa seria diferente…

A série merece a plenitude da bola vermelha que ganhou ao canto do ecran. Entre beijos apaixonados ou uma lingua que passa aqui e ali, cabeças que desaparecem entre pernas ou outras posições, sons e expressões que nos deixam adivinhar orgasmos que só elas poderão saber como se sentem, também as falas lá estão todas e desta feita até a legendagem ajuda. Quando se diz fazer amor é fazer amor mas quando se diz outra coisa é mesmo outra coisa que se lê. É certo que por vezes quase nos leva a pensar “Será que elas não pensam noutra coisa senão ir para a cama com outras mulheres?” ou “Será que as gajas lésbicas vão todas para a cama no primeiro encontro?” mas dizem para ai as más linguas que toda a gente pensa no assunto muito mais do que aquilo que admite. Mesmo assim, que não fique a ideia de que a série é só isto. Por exemplo o tema “sexo entre amigas” é muito focado com enfase no amigas e não no sexo. Sabem aquela conversa do “Pode o melhor amigo de um homem ser uma mulher?” Imaginem o pano para mangas que pode dar quando falamos de lésbicas…

Começada a exibir nos Estados Unidos ainda em 2004, L Word já conta com três epocas completas e prepara-se a quarta. Vai introduzindo novos personagens e novos tramas e ao que parece sem perder o interesse. Já há obviamente vozes que se levantam contra a série mas por enquanto, tendo em conta o que já vi fico naquela de que, vozes de burro não chegam ao céu…