por Henrique Monteiro, Jornalista, director do jornal Expresso.
Pois a mim, isto parece-me muito boa informação e eu obtive-a de graça…
por Henrique Monteiro, Jornalista, director do jornal Expresso.
Pois a mim, isto parece-me muito boa informação e eu obtive-a de graça…
Há cerca de três semanas, surgiu-me uma ligeira dor no ombro direito. Foi ligeira no primeiro dia mas ao segundo já não o era e começava a ser até, um pouco incomodativa. Ao terceiro e quarto dia, esse mesmo incómodo era então já bem visível. Já me queixava no mais banal dos gestos do braço direito. Do aperto de mão ao apertar dos sapatos, já tudo me provocava “má cara”.
A dor estendia-se já pelo braço abaixo e sentia o músculo cada vez mais dorido. Ao final de uma semana, a dor era tanta que lá acabei por ir ao hospital. A maravilha clínica dos nossos hospitais privados continua a surpreender-me a cada dia e, de forma inesperada, após o típico “Então de que se queixa?” seguido da explicação leiga de quem estava cheio de dores, veio o “Pronto. Tome lá um relaxante muscular e também um analgésico potente. Se ao fim de uma semana ainda lhe doer, então talvez seja melhor marcar uma consulta de ortopedia. Isso pode ser grave.”. Grande.
A dor efectivamente acalmava mas era nítido que se tratava do analgésico. Acalmava mas mantinha-se sempre no mesmo grau de calmaria. Nada me estava a curar. A dor já ia então do ombro aos dedos. Começava a fazer-me uma grande impressão no pulso, como se uma tensão constante, que me deixava sem encontrar uma forma, uma posição, para estar com o braço.
Eis que por acaso, como resultado do check-up regular obrigatório da instituição onde trabalho, tive uma consulta da Medicina do Trabalho. Ainda mal tinha entrado no consultório e já sabia que estava tudo bem, com um ligeiro (?) excesso de peso, e uma pequena subida do colesterol mas nada de preocupante. Queixo-me do braço antes que me mandem sair com um adeus e até para o ano. Suave. Muito suave. “Isso pode ser uma tendinite. Se for é grave. Em 10 anos está inapto para o trabalho”. Confesso que nunca me lembrei tão depressa da médica que uma manhã, nas urgências do Hospital da Cruz Vermelha me disse: “Isto é uma tuberculose. O senhor deve ser internado já para a semana”. Foi há 10 ou 11 anos atrás. Eu estava lá com as mãos inchadas… Adiante. Vim de lá com uma requisição para fazer uns exames e com a nota de que mala do computador ao ombro acabou.
Mais uma semana se passou e a coisa piorou um pouco. Ou melhor, mais do que um pouco. Vou fazer os exames hoje.
E já comprei uma mochila.
E eu conheço muita gente que deveria estar a ler este livro agora…
Bem, escrever sobre o tempo que está a mudar pode ser sinal de mil e uma coisa mas fica a nota: é mesmo uma constatação de um facto que em muito influência a minha vivência do dia-a-dia.
Eu não ando de carro de um lado para o outro. Uso transportes públicos e ando a pé. Muito. Ainda que para quem ande de carro, se chove ou não possa implicar sair de casa 10 minutos mais cedo ou chegar a casa duas horas mais tarde, normalmente, não irá ditar de forma radical a forma como sai vestido para a rua. Que diacho, um fato é um fato e se vou de carro de casa para o trabalho e do trabalho para casa, levo o fato e acabou. Se ando de transportes públicos e a pé, ameaça de chuva implica uma gabardina ou uma parka. Às primeiras gotas exige chapéu-de-chuva… Se está frio, um sobretudo, se está calor um fato leve…
O diabo é efectivamente quando o tempo está assim-assim… Carregar o chapéu-de-chuva tornar-se-a ridículo num dia que afinal fica soalheiro (estava solarengo mas a atenção de um certo cão com pulgas permitiu a correcção). Parkas e sobretudos, ultrapassam os ridículos e chegam aos incómodos e insuportáveis com o calor a apertar… Irra que já chateia. Dava jeito uma data certa. “Ah e tal, 21 de Março. Chegou a Primavera. A partir de hoje, só chove dia x, p, t e o. A temperatura irá manter-se nos x graus exceptuando o dia tal por, em homenagem a São Qualquer coisa, se realizarem várias festividades que se prolongam pela noite dentro…” …
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