Em 2006 o Apdeites publicava a primeira lista dos blogs (blogues?) mais antigos em Portugal. tive conecimento dessa lista através do Macacos. Na altura comentei que o browserd.com também já por cá andava há algum tempo e fui quase de imediato contactado  pelo Apdeites informando-me de que o browserd.com constava da lista como o 9º blog (blogue?) mais antigo de Portugal com o primeiro registo datado de Maio de 2001. Fiquei contente como é óbvio e até publiquei aqui o facto.

É sempre bom saber que, para além das visitas que por cá comentavam na altura, há mais quem desse pela existência deste canto. Faz bem ao ego.

De então para cá tenho, confesso, brandido com com algum orgulho essa mesma informação quando apresento o browserd.com a alguém.

Foi precisamente o que se passou na passada semana quando numa reunião de trabalho veio à conversa o browserd.com quando me perguntaram sobre a existência de alguma lista com os blogs (blogues?) mais antigos de Portugal. Uma vez mais referi o Apdeites e a lista anual que o mesmo mantem.


Qual o meu espanto quando alguém me chama a atenção de que o browserd.com não constava da lista. Uma observação mais atenta e lá estava ele, em 2006. No entanto tinha desaparecido das listas de 2007 e 2008.

Coloquei a questão ao JPG do Apdeites: Porque razão já não consta o browserd.com da lista dos blogs (blogues?) mais antigos de Portugal. A resposta não se fez esperar. JPG dispõe-se de imediato a verificar a razão e assim que a encontra logo me dá conhecimento: Os registos do browserd.com enquanto conteúdos regulares e datados (perfil de blog) tinham desaparecido do Wayback Machine. Segundo os critérios do Apdeites, sem os referidos registos online, não há presença da lista. Percebe-se porquê.

Entendi esta situação como um verdadeiro desafio. O browserd.com dos primeiros tempos era puro html. Não havia cá bases de dados, php’s nem gestores de conteúdos por trás. Era tudo estático e com um ficheiro actualizado à mão… Toca de dar volta aos caixotes.

Foi com enorme alegria que encontrei alguns desses ficheiros e, na medida do possível vou agora passar o conteúdo dos mesmos (as entradas datadas) para a base de dados do WordPress. Para além disso, vou igualmente disponibilizar online algumas das versões antigas ainda que com algumas falhas principalmente no que se refere a ficheiros externos. No entanto, trata-se de uma questão histórica e como tal estou certo de que ninguem levará a mal.

Resta-me agradecer ao JPG do Apdeites pelo tempo dispendido e pela reposição do browserd.com nas suas listas. O browserd.com é oficialmente o 8º blog (blogue?) mais antigo de Portugal.

O debate do programa “Aqui e Agora” sobre “Os perigos da Internet” veio provar o serviço público que é a televisão mesmo que a privada. Revelou ao mundo de forma clara, pelo menos, mais um dos grande perigos da Internet: O Moita Flores.

As frases

  • (a Internet) … nem abro…
  • (os blogues) … são mundos de devassa, de violação, de violentação…
  • A democracia desnuda-se à sua destruição…

E não fica por ai…

A interacção

Moderador: “Quem bloga está a dizer “Vejam que bem que eu escrevo. Mandem-me os vossos comentários…”
Moita Flores: “Porque não têm a capacidade de fugir da solidão”

O próprio moderador começa então (bem, talvez o tenha demonstrado desde o inicio mas eu estava a ser simpático) a revelar o evangelista que há em si:

“Uma mulher que pediu o divorcio do marido, em vez de lhe cheirar a camisa ou de lhe ir à carteira, foi-lhe à net e descobriu uma infidelidade.”

Foi-lhe à net. Note-se o bold e só não se sublinha para não parecer um link. Foi-lhe à net é algo de memorável. E para evitar surpresas desagradáveis neste momento vou telefonar à minha mulher dizendo-lhe que não me vá à net. O diabo pode tecê-las e ela descobrir que de quando em vez eu falo com outras mulheres aqui por estes lados… Ups. Ela já sabe.

O programa

Quem não viu faça o favor de visitar a página do programa Aqui e Agora referente ao debate em questão. Serviu para alguma coisa? Para pouco. Infelizmente esse muito pouco é mau. Muito mau. Imagino todas as casas em que mães e pais cientes da razão televisiva ao ver o Moita a falar tão eloquentemente sobre os perigos deste novo mundo, gritaram da mesa da cozinha: “Carlinhos, sai do computador. Já. Desliga a porcaria da Internet”.

p.s. Caro Lourenço Medeiros, diz-me a verdade: Sabias que a tua peça ia acabar nisto? Já cá andas há uns anos para saber que era má ideia. Precisas de ajuda para educar (no bom sentido é claro) essa gente por ai?

Estava eu todo contente que já tinha as noticias do Prt.sc ali ao lado e eis senão quando, numa reviravolta inesperada, as boas das noticias desaparecem. Terá algo a ver com a venda do referido agregador? Pois que mesmo que assim seja, não eram mal pensado um e-mail que fosse a anunciar o que ia acontecer. A ver vamos então como vai ficar a coisa.

Update: Afinal apareceu agora? O que se terá passado?

Só pode ser. O Paulo Querido diz lá no seu sitio, numa resposta a um comentário meu:

“Caro Pedro Rebelo, tenho efectivamente muito contra o citizen journalism (…)”

Uma vez mais só me apraz dizer: Upppsss. Esqueceu-se. Ou talvez não. Bem, a questão é que, tal como já tinha referido num post anterior, o Paulo Querido não há muito tempo apelava lá no seu sitio ao Jornalismo do Cidadão como complemento à “abertura ao exterior” do seu “espaço editorial”. Se calhar, na altura dava-lhe jeito e hoje já nem por isso. Não sabemos. Ele não nos diz. O que ele nos diz, desculpem, me diz, é:

“(…) não vejo vantagem em continuar consigo a conversa sobre as vantagens e as desvantagens, os aspectos positivos e os aspectos negativos do citizen journalism”

E sabem porquê? Porque o Paulo Querido acha que eu tenho uma “opinião deformada” (opinião que ele não conheçe mas acha mesmo assim, tipo, jornalismo do cidadão versão Paulo Querido) por eu lhe ter dito “shame on you Mr. Paulo”. E nem se deu ao trabalho de entender que a minha expressão não se referiu sómente ao sentimento que ele expressava pelo Citizen Journalism mas também pelo facto de estar agora a criticar ou a tentar denegrir aquilo que ainda há pouco tempo chamava e pedia para o seu espaço na net.

O Carlos Andrade escreve um post no seu site sobre a rede de blogs Tubarão Esquilo (já agora, que raio de nome é este?). Fez uma análise da coisa e escreveu o que lhe ia na alma, na boa tradição bloguista, escreveu a sua opinião. Paulo Querido, conhecido (entre outras razões) por muito falar sobre a Internet deve ter sentido alguma ferroada que logo depois lhe responde forte e feio. Pois até nem quero entrar nas razões de uns nem de outros mas não posso deixar é de comentar um detalhe, um daqueles pequenos e quase despercebidos detalhes, na resposta do Paulo Querido. Diz ele a certa altura, e passo a citar: “O que lamento é mais um exercício do que podemos esperar do tal de “jornalismo do cidadão”…”. Ups! Paulo, meteste a pata na poça. O que é que tens tú contra o “jornalismo do cidadão”? E que fique já bem claro que não sou jornalista de maneira nenhuma. Mas diz lá então, o que tens contra? Deverei e em nome de ser justo, lembrar-te de um post teu em Junho do passado ano em que escreves:

“Decidi avançar com uma experiência neste espaço editorial: abri-lo ao exterior.(…)
(…) Esta abertura dar-se-á para já em dois espaços distintos.
O primeiro sob a forma de agenda e noticiário genérico. Destina-se a promover acontecimentos como o lançamento de livros, apresentação de conferências, etc. A ideia não é tanto os press-releases comerciais, embora estes não sejam excluídos, reservando-me o direito de publicar tudo o que me pareça relevante.
O outro espaço de lançamento pretende atrair notícias (jornalismo de cidadão), reportagens, ensaios, críticas, previews de livros ou arte e análise em geral.”

Não estou enganado pois não? Foste tu que pediste um Porto Ferreira, quer dizer, um “jornalismo do cidadão”? Uma dica: Blogumentary. Aconselha-se a visualização. Trata-se de um documentário muito bem realizado por Chuck Olsen sobre os blogs e o quão importantes estes são nos dias que correm e principalmente como media. Depois uma visitinha à entrada Citizen journalism da Wikipédia também não fica mal.

Volto a referir que, não está aqui em causa qual das comadres tem razão sobre o Tubarão Esquilo nem tãopouco se o artigo do Karlus foi escrito observando regras jornalisticas. O que está aqui em causa é o tom com que Paulo Querido se refere ao “jornalismo do cidadão”.