58 anos antes dos eventos que testemunhamos em Battlestar Galactica, os Humanos criaram os Cylons

Quase 9 meses depois da divulgação do episódio piloto, estreia hoje nos Estados Unidos, a série de televisão Caprica. Aqui está uma óptima oportunidade para as televisões nacionais entrarem (a sério) no universo de Battlestar Galactica.

Apesar de ser, sem qualquer duvida, um gosto especial para os seguidores de Galactica, Caprica pode viver por si, com uma historia que, a ser coerente, pode agradar a públicos bastante distintos, permitindo até que no final, haja interesses em ver a série que lhe deu origem, vindos de quem nunca antes se tinha interessado.

Eu tive a oportunidade de ver o episódio piloto alargado há uns meses. Deixou-me a pensar. Parece-me ter a negritude e o pensamento no Homem, para além do Homem, que gosto de ver na ficção cientifica. Agora vou ver outra vez, e seguir atentamente…

p.s. E loira, não me venhas com conversas de que é mais uma série só por causa das gajas boas. A gaja boa da fotografia tem muito que se lhe diga…

Pois ai está ela, a oitava temporada de 24. Estreou no passado Domingo nos Estados Unidos o que significa, o mais tardar, ontem por esse mundo fora. E o mais incrivel é que, ao fim de 7 séries de tiros, torturas, mortes e quase milagrosas recuperações, o entusiasmo com que a  8ª série é recebida. A ver vamos quanto tempo demora o Jack a cá chegar.

Para homenagear não só os Sopranos mas também o facto de lá por casa ter iniciado a exibição da 4ª temporada desta magnifica série (e também porque o videoclip está demais, a música é fantástica e porque sim que também é muito importantes).

Gostaram?

A boa ficção cientifica deve ser baseada em boa ciência. Lembro-me de ter lido isto em algum sitio e de ter achado algum sentido à frase. Tanto que não me esqueci e uso-a com alguma regularidade…

Star Trek (O Caminho das Estrelas na versão portuguesa) é, à sua maneira, boa ficção cientifica. Não é hardcore sci-fi como diz o meu amigo Pedro Pinheiro mas é boa ficção cientifica.

star_trek_tos

Ontem no Twitter discutia com o Pedro Couto e Santos (e outros mais como o @Madril e o @trodrigues) um vídeo que anda por ai a correr em que a Death Star acaba com a USS Enterprise… É uma guerra antiga. Como bem referiu o Pedro, só aqui podemos encontrar 783 páginas de Star Trek vs Star Wars

Mas vendo bem a coisa, nem tinha razão de ser. Star Wars é entretenimento. Ponto. É bom, claro. Tem muito boa qualidade. Em todos os sentidos. Textos, interpretações, efeitos, tudo… Mas é entretenimento. A mim só me admira como demorou tanto tempo para aparecer um Jar Jar Binks

Star Trek vai um bocado além disso. Star Trek foi desde o seu inicio em 1966, uma forma de passar ao mundo mensagens que este devia ouvir. A influência cultural desta série foi decisiva para alguns direitos, liberdades e garantias na terra da democracia e por consequência, com grande impacto para o resto do Mundo.

O flower power estava na berra e com ele ideais como o da Paz Universal (não se discute aqui o carácter utópico de tal conceito) eram ponto de ordem em qualquer agenda de peso. Não é à toa que os Vulcanos, (povo com um passado de violência lá no seu planeta a 16 anos luz da terra) têm como lema “Vida longa e próspera”.

O amor livre era outro dos temas quentes dos anos 60 e 70. Foi também com Star Trek, no episódio “Plato’s Stepchildren” emitido em Novembro de 1968, que a América assistiu na televisão pela primeira vez a um beijo entre raças diferentes. O Capitão James T. Kirk (William Shatner) e a Tenente Uhura (Nichelle Nichols) são os protagonistas de uma “cena polémica” que se mantém até à data. Abanou moralidades…

Assuntos como a politica e a religião também eram frequentemente apresentados e quase sempre fugindo aos trâmites da altura. Devemos ter sempre em conta a sociedade conservadora e moralista da América de então…

O criador de Star Trek, Gene Roddenberry disse:

Ao criar um novo Mundo com novas regras, eu pude fazer fazer algumas afirmações sobre sexo, religião, Vietname, politica e misseis intercontinentais… Sem dúvida, nós fizemos-lo em Star Trek. Nós estávamos a enviar mensagens (…)

E ainda só estávamos na série televisiva…

Diziam-me umas amigas que eu gostava da Galactica “só por causa das gajas boas”. O tempo passou e uma delas começou a ver a Galactica com o marido. Facilmente percebeu que o meu encanto ia muito além das gajas boas (e sim devo ser mais para a Grace Park do que para a Tricia Helfer). Afinal sempre havia politica, religião e moral, muita moral…

Galactica e as tais gajas boas

A outra amiga, mais loira mas nem por isso menos inteligente, não se deixa convencer tão facilmente. Não que não. As gajas boas devem ser efectivamente o grande atractivo da Battlestar Galactica.

Alô! Loira! Aqui!

No próximo dia 17 do corrente mês de Março, nas Nações Unidas em Nova Iorque, vai haver uma retrospectiva da série Battlestar Galactica logo seguida de um painel de discussão (sim, nas Nações Unidas) onde segundo o Sci-fi Channel serão analisados assuntos tais como “direitos humanos, crianças e os conflitos armados, terrorismo, direitos humanos, reconciliação e diálogo entre civilizações e fé”.

Nações Unidas

Ainda que este evento tenha obviamente um fundamento promocional da Comissão de Direitos Humanos assim como do próprio Sci-fi Channel, sendo acessível unicamente por convite, não deixará de ser digno de nota uma série de ficção cientifica que tanto é estrela nas convenções de Geeks (como a Comic Con) como nas Nações Unidas. Quantas séries televisivas conhecem vocês com tal sorte?

E descansem os mais aguerridos fãs que o Sci-fi Channel já disse que a sessão irá ser gravada assim como que será disponibilizada a transcrição da mesma assim que possível.

Com que então era só por causa das gajas boas hein?