E eis que mais uma vez sou surpreendido pela capacidade de abstracção da Patrícia.  Desta feita em torno dos extra-terrestres, mais precisamente da problemática marciana…

– Sabes pai, um dia vi uma coisa colorida no céu… Se calhar era um ovni.
– Se calhar era… Mas se fosse, qual era o problema? Os extra-terrestres não têm que ser obrigatoriamente maus…
– Mas se forem marcianos…
– Qual é o problema dos marcianos? Além disso, nós não sabemos se há marcianos… Ainda ninguém encontrou nenhum…
Não encontraram porque andam à procura das coisas que já conhecem… Pode haver marcianos mas com uma vida diferente, não humana, nem animal, diferente, e se não os conhecem não sabem como os procurar e assim não os encontram

A conversa descambou em invasões, umas mais pacificas outras nem por isso.

Eventualmente ainda caiu uma lágrima solta uma vez que podíamos ser invadidos por marcianos que fizessem mal ao Browser (o gato para quem não sabe). Nessa altura confesso que pensei se fiz bem em ter-lhe falado sobre Alf, o extra-terrestre de Melmac que um dia caiu no quintal dos Tanner. Cheguei à conclusão que sim. Fiz bem. E um dia destes vamos sentar-nos os dois frente à televisão, a ver as tentativas falhadas do alienígena a querer hipnotizar o gato da família

Alf e o gato Lucky

Não me lembrava se já vos tinha referido que gostava de Fringe. Nem me lembrava que já vos tinha dito que achava Fringe os X-Files do século XXI… E como tal, eis que aqui estou para vos dizer (e prometo que me calo logo de seguida que tenho ali mais um episódio para ver) que Fringe é definitivamente uma das melhores séries de ficção cientifica a ser exibida actualmente…

Fringe

Quem não conhece e gosta do género, faça favor de ir conhecer…

 

Da imaginação da Patrícia (a minha filha para quem não sabe) já saíram as mais extraordinárias coisas (da fantasia de Darth Vader, ao Rei dos Cylons passando pelos sinais de proibição a monstros invisíveis) e ao que parece, ainda há muito a esperar. Desta feita, numa viagem de carro, numa aparentemente vinda do nada vontade de desabafar:

As histórias da Patrícia

Pai, vou contar-te duas histórias:

Ele chamava-se Van Lobo. Tinha cabeça de morcego, braços de homem, tronco e pernas de lobo. Uma noite tentaram caça-lo. Levavam alho, muito alho. Não conseguiram. Ele era mais forte, lutou e fugiu. Apanharam-no uma semana mais tarde. Já tinha passado a lua cheia.

Era uma vez um cão. Tinha no cérebro um pedaço de gelatina amarela onde vivia e do qual se alimentava um verme extra-terrestre. Esse verme cresceu, cresceu, e o cérebro do cão já não dava para ele. Saltou (terá sido pelas orelhas) cá para fora e colou-se às costas de um taxista. Assim viajava e podia continuar a crescer… Cresceu tanto que se tornou quase do tamanho do Universo. Abriu a boca e engoliu umas galáxias (nota minha: nitidamente a precisar de orientações no que se refere a escalas) mas sem grandes preocupações: foram só duas e a nossa escapou. Depois ficou cheio e descansou.

Certo. Estou em dúvidas se a aconselho a ir para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas ou directamente para Berkeley.

Uma breve leitura da Introdução deste livro (que nesta edição portuguesa de 1966 se apresenta em dois volumes) e facilmente percebemos que Sam Moskowitz “vivia” a ficção científica.

Mary Shelley, Julio Verne, Allan Poe ou mesmo Cirano de Bergerac são, antes de se apresentarem por suas palavras, apresentados por quem os investigou, estudou, comparou e certamente tirou um enorme prazer de tudo isso…

Sam Moskowitz guia-nos por entre os mundos do fantástico, do gótico, do romantismo ao realismo e mostra-nos que tais viragens na história nem sempre se deram da forma mais obvia.

Agora, à leitura que se faz tarde.

Quando se fala em ficção cientifica estremecem os mundos. O dos críticos e o dos outros… Valham-nos os Deuses que lá estão eles outra vez com as naves espaciais e os homenzinhos verdes… Os mundos estremecem. Ambos pelas mesmas razões… Não perceberão ele, os que se deixam estremecer, que só por isso são eles parte de uma fantástica produção ao nível do que melhor se faz no meio?

Adiante…

Source Code The Movie
Source Code ou O Código Base como foi chamado por cá, é mais um daqueles filmes de que não se ouve falar. Não faz capa de revista, não tem direito a especial no jornal da noite e nem tão pouco a apontamento de rodapé… Boa ficção cientifica pois então.

Jake Gyllenhaal, Vera Farmiga, Michelle Monaghan parecem ser uma equipa de futuro mas como aqui é o próprio conceito de futuro (ou será passado?) que está em causa, é verdadeiramente recomendável ir ver o filme.

Sem mais delongas e de forma a não estragar a boa surpresa a quem vai ver o filme, Source Code é efetivamente boa ficção cientifica. É também um thriller dos bons o que podia ajudar a divulgar a obra. Talvez daqui a uns anos se descubra comercialmente a joia que é este filme que, na minha humilde opinião, se poderia tornar mais um daqueles filmes a juntar à lista “culto”.